Mar de Fora - Música Popular Portuguesa


 

História

Em 2000 Helder Encarnação conhece Fernando Guerreiro, exímio tocador  de instrumentos tradicionais. Este oferece-lhe o segundo CD do seu grupo, os Nem Truz Nem Muz. O disco chamava-se "Por mares..." e continha temas fantásticos que fizeram com que Helder (re)descobrisse a música tradicional portuguesa. É como se algo dentro dele tivesse despertado ao ouvir o disco. A curiosidade de ouvir mais direccionou-o para discos de Júlio Pereira, Vitorino, Zeca Afonso, entre outros. Os trabalhos de Júlio Pereira fizeram-lhe enveredar pelo caminho dos instrumentos tradicionais.


Entretanto, Sérgio Quaresma tocava com Pedro Marreta nos Trombose Band, banda de uma sonoridade rock pura. O projecto entretanto acabou.
A amizade entre Sérgio e Helder fazia o primeiro passar horas de expediente na casa do segundo, não a trabalhar na sua ocupação principal, mas sim a tocar. Era algo que os unia como um cordão umbilical. Na altura, começaram a falar de música tradicional e na  possibilidade de fazer um grupo. Mas faltava quem cantasse. Sérgio começa a interessar-se também pela música tradicional e popular e compra um cavaquinho. Helder, por sua vez, comprou-lhe o cavaquinho em troca da sua viola folk. A paixão por estas sonoridades continuava a crescer.


2001 é o ano em que tudo acontece. Helder entra para a Universidade do Algarve em Portimão e conhece o Luís (o Satã para os amigos) na TunaBebes, Tuna Académica Mista do Campus de Portimão da Universidade do Algarve. Ouve-o a cantar o "Queda do Império" do Vitorino, e fica deslumbrado com o seu timbre de voz. A amizade entre ambos foi crescendo e, uma noite, Helder pergunta a Luís se por acaso ele não estaria interessado em fazer uma banda de música popular e tradicional. Luís responde-lhe "Por acaso até te estava para perguntar o mesmo!". Não perderam tempo. Começaram a ensaiar no Sábado seguinte. "Traz Outro Amigo Também", "Canto Moço" e "Milho Verde", foram os primeiros temas a serem ensaiados. Na altura, Helder tocava viola braguesa e cavaquinho, e Luís tocava viola e cantava.


Entretanto, Sérgio estava envolvido numa ideia de formar uma banda rock portuguesa com temas dos anos 80, revisitando grupos como "Trabalhadores do Comércio" ou "Táxi". Um dia Luís ensaiava com Helder e Sérgio telefonou a este, perguntando-lhe: "Epá, tou à procura de um vocalista para avançar com o meu projecto". Helder disse-lhe: "Olha, é essa cena dos anos 80, né? Eu agora tou num projecto com um colega meu da universidade que canta e toca viola. A gente já gravou umas coisas. Não queres ouvir?". Sérgio respondeu afirmativamente e, no outro dia, lá estava ele na sua hora de trabalho a ouvir as músicas. Ouviu atentamente e não disse uma palavra. No fim questionou: "Epá, ele canta mesmo bem. Desculpa... Ahh... Pá, não posso tocar com vocês?". "Claro!" Disse Helder. Finalmente iriam juntar-se outra vez. Helder ligou ao Luís e disse-lhe: "Olha, um amigo meu ouviu a nossa cena e curtiu muito mesmo. Ele toca muito bem baixo, já tocámos juntos, e é altamente. Ele quer juntar-se a nós. O que achas?" "Bem", respondeu Luís, "se tu o conheces, por mim é na boa!" No Sábado seguinte juntaram-se os 3. Era uma tarde fria de Fevereiro de 2002. Passadas algumas semanas e, após uma tentativa de arranjar um nome para o grupo, Sérgio sugeriu "Mar de Fora". A partir daí, tornaram-se um só. O Mar de Fora.

 


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